Apresentação – 6ª Edição Nº 2 – Dezembro de 2009

Apresentação

A Revista Theos oferece aos leitores o segundo número da 6ª Edição. Eis os autores e seus textos, que contribuíram para este número da Revista:

Claudinei Fernandes Paulino da Silva. A Teoria da Memória Coletiva de Maurice Halbwachs em Diálogo com Dostoievski : Uma Análise Sociológica Religiosa a partir da Literatura.

Este artigo propõe dialogar Maurice Halbwachs, sua teoria da memória coletiva, e Dostoievski, tendo como foco a religião, analisando, portanto, a sociologia sob o viés da literatura. É importante dizer que a literatura tem muito a contribuir com a pesquisa, pois ela é capaz de dialogar com outros saberes de forma relevante e interdisciplinar. A literatura de Dostoievski aborda aspectos preciosos, tais como: Antropologia, Filosofia, Teologia e Sociologia. É claro que não há nesta literatura uma preocupação de sistematizar e nem de trabalhar com um método específico, mas é possível analisar de forma séria, o quanto esta tem a contribuir, no caso desta pesquisa, com a sociologia da religião.

Dionísio Oliveira Soares. As influências persas no chamado judaísmo pós-exílico.

O artigo analisa como e em que medida a cultura persa teria influenciado o pensamento judaico em geral, principalmente no que tange à sua religião, no período do Segundo Templo. O texto tem como tema a tese da influência persa na apocalíptica judaica, tomando por base um livro extracanônico (1 Enoque) e um canônico (o livro de Daniel), para verificar em que medida esses textos refletem características da apocalíptica iraniana.

João Oliveira Ramos Neto. Os problemas e os limites do método histórico-crítico.

A neutralidade na pesquisa científica, ilusão do Positivismo durante a Modernidade, não existe. Entre estes métodos positivistas, encontra-se o Histórico-Crítico, que tem sido amplamente utilizado entre os teólogos para a realização da exegese bíblica. Este artigo procura debater os problemas da utilização deste método na atualidade.


Landon Jones. Gerhard von Rad e o Kerygma do Pentateuco
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Na história do estudo do Pentateuco, o nome de Gerhard von Rad se destaca. O seu nome é associado com a metodologia querigmática. Utilizando esta metodologia, von Rad procurou descrever a intenção querigmática específica dos escritores do Pentateuco identificados pela crítica literária. Para ele, a mensagem do Pentateuco se encontra principalmente nas declarações de fé de Israel antigo e não nas reconstruções históricas propostas pelos críticos literários. A sua metodologia visava manter o dinamismo das tradições históricas de Israel antigo. Landon afirma que existem questões que devem ser levantadas a respeito da metodologia querigmática de von Rad.

Valtair A. Miranda. “Sai dela, meu povo”: crítica social no Apocalipse de João.

O artigo investiga vários autores que analisam o livro de Apocalipse a partir de uma crise interna da comunidade cristã. O primeiro autor estudado é Paul B. Duff (Who rides the beast?). Outro autor é Nelson Kraybill (Culto e Comércio imperiais no Apocalipse de João), que constrói o referencial hermenêutico de Apocalipse a partir da análise do envolvimento de cristãos e judeus no Império Romano. Para este autor, João escreve para orientar a comunidade cristã sobre os perigos do envolvimento com o comércio no mundo romano aliado ao idólatra culto imperial. Essa mesma abordagem é vista em Nestor Paulo Friedrich (Adapt or resist? A sócio-political reading of Revelation).

Por fim, ofereço aos leitores uma resenha do livro A Bíblia e seus intérpretes – Uma breve história da interpretação, de Augustus Nicodemus Lopes. Este autor analisa a história da interpretação bíblica, desde os autores do Antigo Testamento até nossa contemporaneidade. Nicodemus, como um dos autores reformados mais conhecidos em solo brasileiro, faz tal análise a partir dos pressupostos da teologia reformada, defendendo a interpretação gramático-histórica, destacando os equívocos das interpretações alegóricas, e ressaltando os perigos das hermenêuticas da época Moderna e Pós-Moderna.

Em nome da Revista Theos, agradeço aos autores por seus preciosos textos. Certamente suas reflexões enriquecerão o conhecimento teológico dos leitores da Revista.

Uma boa leitura a todos!

Luciano R. Peterlevitz (Editor Responsável)

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